Patrimônio Despedaçado de São Paulo

Fevereiro 08 2009

A A rua São Bento começa  na praça Ouvidor Pacheco e Silva e termina no largo do mesmo santo, em frente ao mosteiro. Em quase todos os seus quarteirões encontramos exemplares da arquitura que dominava esta região da cidade há cem ou cento e vinte anos atrás. Em sua maioria prédios comerciais de um, dois ou às vezes três andares com jalelas  emolduradas por caixilhos trabalhados, sacadas e balcões detalhadamente evidenciados.
Na Na esquida da rua com a praça Ouvidor Pacheco e Silva, encontramos um típico e majestoso exemplo da arquitetura do começo do século XX. Concluido em 1909, como atesta inscrição na fachada, hoje é um exemplo do desleixo para com o patrimônio que sobrou. Prédio de dois andares e sótão, com três trabalhados arremates que se destacam na paisagem de linhas retas do centro "renovado" nos anos 1970.
 
Seguindo a rua, em direção à sua outra ponta, do lado esquerdo, vê-se uma sequência de sobradões de um e dois andares que chamam a atenção mais pela diversidade de estados de conservação do que pela beleza em si, que ainda teimam em exibir aos interessados.
Passando a praça do Patriarca, na esquina com a rua da Quitanda, encontramos o prédio que abrigou, por muitos anos, entre 1924 e 2001, no térreo, a Casa Fretin uma das primeiras grandes lojas de aparelhos de precisão, na cidade. Hoje esse espaço abriga uma multinacional de investimento. 
Avançando mais um quarteirão, próximo ao largo do Café, está localizado, do lado direito da rua, o Edificio York, originalmente conhecido como Palacete Crespi, construido nos anos 20 do século passado, pela família do poderosos industrial Rodolfo Crespi, imigrante italiano, dono de uma das maiores indústrias da cidade, no começo do séc. XX. Teve seu interior e alguns detalhes da fachada alterados, mas mantém as estátuas masculinas nuas em estilo neoclássico.

publicado por enniobrauns às 21:54

Fevereiro 08 2009

Paralela a praça da Sé, esta rua exibe ainda hoje vários sobrados construidos no começo do séc. XX. Este dois à esquerda estão localizados no quarteirão entre seu início e a rua Benjamim Constant. Ambas tem as lojas no térreo ocupadas por estacionamentos e totalmente desfigurados. Os andares superiores encontram-se com as fachadas muito mal conservadas embora evidenciem seus estilos que caracterizam considerável valor histórico. Mais adiante, entre as esquinas com as ruas José Bonifácio e Direita está esse belíssimo prédio de dois andares com fachada intensamente decorada. Na foto vertical a vista do prédio voltada para a esquina da rua Direita. No detalhe do alto da esquina voltada para a José Bonifácio é possível visualizar a mistura de estilos, com  figuras humanas, volutas, florões que ressaltam no alto relevo e capitéis (um deles quebrado)  encimando vérticas e a portaria do edifício. Como todas essas construções estão no entorno da praça da Sé, é de se supor que todos eles tejam tombados por um ou mais de um dos departamentos de patrimônio histórico nos vários níveis de governo. Mas este tombamento ainda está por confirmar

publicado por enniobrauns às 16:02

Janeiro 27 2009

Este "casarão", à esquerda, localizado na avenida, defronte ao tribunal militar, está em péssimo estado de conservação, fechado e bastante pixado. Descendo em direção ao centro da cidade, do outro lado da rua, está i antigo Hotel Danúbio com suas estranhas cúpulas azuis, também abandonado, com as entradas lacradas com alvenaria e completamente pixadas. Mais a pesquisar...

 

 

 

 

publicado por enniobrauns às 19:06

Janeiro 27 2009

Está é considerada a primeira vila da cidade. Construida entre 1916 e 1920, pelo teclão portugues Francisco de Castro. Ocupa uma área de quase 5.000m². Seu nome é uma referência ao rio Itororó, um dos afluentes do Anhangabau, hoje canalizado, que nascia na encosta do vale e cujas águas enchiam a piscina da casa. A vila representava o apogeu do bairro da Bela Vista, com 37 casas menores ao redor de um palacete de quatro andares, a primeira residência particular a possuir uma piscina na cidade, conhecida como Casa Surrealista, pela ousadia da construção. A maioria das estátuas e colunas foi reaproveitada a partir da demolição do teatro São José, um dos primeiros de São Paulo. "A Vila Itororó, singular conjunto de 37 casas construídas originalmente na década de 20, a meia encosta do Vale do Itororó, constitui um exemplo que se destaca na paisagem urbana, por sua feição original, de ecletismo ou mesmo bizarria, do ponto de vista arquitetônico, um conjunto que reflete um aspecto incomum do imigrante enriquecido e, neste caso específico, imaginoso", comenta o presidente do  Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo  (CONPRESP), José Eduardo de Assis Lefèvre.

A construção representa um tempo da imigração nos primeiros anos do século XX. Após a morte de Francisco de Castro, na década de 1950, a vila foi leiloada e arrematada por credores. Mais tarde, o conjunto foi doado a uma instituição beneficente, que ainda é considerada sua proprietária. Hoje mais de 70 famílias habitam o local em condições precárias, algumas em casas mantidas pelos próprios moradores, outras em cortiços.

publicado por enniobrauns às 18:23

Janeiro 23 2009

Essa, por si só, é uma vitoriosa. A casa Mourisca, da av. Paulista, foi construida em 1905, pelo engenheiro Antônio Fernandes Pinto, durante a primeira fase residencial da avenida e é a única que restou dos muitos casarões que haviam ali. O imóvel pertenceu a Joaquim Franco de Melo, tem 35 cômodos e está localizado em um terreno de 4.720 m², bem arborizado. É mais um exemplo de "eclético" da época. Os rococós do frantão e os caixilhos das janelas remetem a uma inflência da arquitetura Luis XV que se misturam a uma mansarda renascentista e ao acabamento do torreão de inflência arabesca. Há anos a casa tem uso esporádico, na maioria das vezes, eventos alternativos. Apesar desse uso constante, não vem sendo conservada e tanto interna quanto externamente se percebe a deterioração.

publicado por enniobrauns às 19:21

Janeiro 22 2009

Com projeto de Samuel das Neves e Cristiano Stockler, é considerado o avô dos arranha-céus da São Paulo. Acabou de ser construido em 1924, oito anos antes do Edificio Martinelli ficar pronto. Por sua causa foi feito, inclusive uma alteração no Código de Obras da cidade por suas características e grandes dimensões para a época. Quando da  sua inauguração foi criado um estatuto que impede a construção de qualquer obra no terreno à sua frente do outro lado da rua Libero Badaró "para não empedir a vista do Vale do Anhangabaú". Vazio há alguns anos, abandonado há outros tantos, está em muito mal estado, carecendo inclusive de reparos estruturais, principalmente na pérgola. É imóvel tombado.

publicado por enniobrauns às 02:14

Janeiro 22 2009

Situado na esquina da rua Benjamin Constant com a praça da Sé, o palacete foi construido nas primeiras décadas do século XX, pelo engenheiro Nestor Cauby. Abrigou desde uma leiteria até escritórios comerciais, Durante um tempo, foi ainda a Delegacia de Ensino da Secretaria Estadual de Educação. Com estilo eclético, telhas de ardósia e uma bela cúpula adornado-lhe a esquina, tem 8 andares, mais o ático. É a segunda construção mais antiga da praça da Sé. Desde 1999 abriga a Editora da Universidade Estadual Paulista (UNESP).

publicado por enniobrauns às 01:50

Janeiro 22 2009

No processo de n° SC.40.735/00 o CONDEPHAT emite uma notificação dando conta que o colegiado do orgão aprovou a abertura do processo de estudo para tombamento desse imóvel, localizada à av. Exterior, 268 a 334.
Em seu texto determina: "Nos termos do parágrafo único do já citado artigo 142 e do artigo 146 do mesmo Decreto, a deliberação de abertura do processo de tombamento assegura, desde logo, a preservação do bem até decisão final da autoridade competente, ficando, portanto, proibida qualquer intervenção que possa vir a descaracterizar a referida área, sem prévia autorização do CONDEPHAAT, além de poder ser punido o descumprimento do acima disposto com as sanções penais previstas no artigo 166 do Código Penal Brasileiro e da Lei nº 7347, de 17.07.1985." De lá para cá pouca coisa mudou a não ser a degradação do imóvel. Recentemente uma "reforna" alterou várias caracteristicas do imóvel. Até mesmo a cobertura de ladrilhos azulados, nas duas pequenas cúpulas que encimam as esquinas do prédio, foi retirada.

publicado por enniobrauns às 01:01

Janeiro 22 2009

Na esquina das ruas da Independência e Bom Pastor, encimando uma pequena elevação, está a única remanescente das casas que a familia Jafet levaram à rua, nos anos 1920.  Vários membros da família construiram, ao longo da Bom Pastor, "palacetes típicos da elite do bairro" com seus minaretes. O imóvel, hoje, se encontra em  más condições, com muros quebrados e os pináculos tortos.

publicado por enniobrauns às 00:34

Janeiro 21 2009

Projetado por Domiziano Rossi, sócio no escritório de Ramos de Azevedo, em 1910, é um dos poucos exemplos que restaram daquele que foi o maior escritório de arquitetura da cidade entre o fim do século XIX e o começo do século XX. Foi idealizado para abrigar a Feira de Produtos Agrícolas e Industriais. Fazia parte de projeto, para a área do atual Parque D. Pedro II, de um grande Boulevard, ao estilo Bois de Bologne, nos primeiros anos da década de '10, mas foi a única parte do projeto a ser construida. Entre 1947 e 1968 abrigou a Assembéia Legislativa. Depois disso, durante mais de 20 anos foi ocupado por repartições da Secretaria de Segurança até que em 1991 a sede da Prefeitura foi tranferida do Ibirapuera para suas dependências. Isso durou até 2004 quando, após a mudança da Prefeitura para o Palacio Patriarca, o prédio ficou vazio e assim está até hoje. Desde essa última mudança o prédio passou aos cuidados da SPTuris (antiga Anhembi Turismo). A partir disso algumas propostas para uso do imóvel foram anunciadas. De área para exposições e eventos, até museus, os mais diversos: Museu da Cidade,  Museu dos Brinquedos, depois chamado Museu da Criança e Fundação Catavento. Em 2006 o superintendente-geral da Associação Viva o Centro, Marco Antonio Ramos de
Almeida
, declarava que: "a idéia de transformar o Palácio das Indústrias em um "museu do futuro", com foco central na tecnologia, é uma solução muito boa. O lugar é propício para isso,
porque tem estacionamento grande e fácil acesso, por meio de ônibus e metrô. Além disso, o museu contribuirá para a revitalização da região central da capital. Só é preciso que isso aconteça logo"
 . Até agora, nada foi posto em prática e o Palacio continua vazio e mal conservado.

publicado por enniobrauns às 21:48

Patrimônio Despedaçado é um projeto documental e historiográfico do que resta do patrimônio mal conservado, de São Paulo. Concebido, pesquisado e fotografado por Ennio Brauns.
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